quinta-feira, julho 15, 2010

Limbo

Fluir...

Desprender a bílis oca
Luz...fulgurar por si só... - ilumina-te, ilumina-te !
Fluir por dentro, escorregar
Um corte em vertical do lado esquerdo, fazendo escorrer...
(canção afogada ao fundo)
Oh, escuros desenhados nas paredes...
Fluir, e ascender acima... Acima de si
(As cores ardendo por suas retinas em alfinetes)
Ver em contornos, antes ofuscados pelos escuros derramados...
Encontrar nos fluidos a abertura, voar... Voar de dentro... Fluir...
Desaprender novamente, navegada por marés soltas, brandas...
Assumir a pulsação que efervesce...
- Ouve o conselho, pequena... Embarcou a voz.
Fragmentos mil entornados do corpo renascido...
- Poeiras como que vagas, como que pequenos lumes...
- Escavou a alma exangue, exigiu a vida de volta...
Quando emergiu não lembrava-se nem de ser, e de ser pensada...
Sorriu duas contas, e as primeiras torrentes molharam o chão...
- Sua pele ainda caia ao redor, enquanto voava como se caminhasse.

sexta-feira, julho 09, 2010

Mortificações

ontem vomitei e era a ti que eu tentava expulsar de dentro...
quis arrancar a chuva, o tempo... eu, suja....infestando os ares, o cinza...
impregnando o cinza de preto...
eu que não caibo em ti... eu no preto maculando tudo teu, estuprando com minhas mãos vazias
e meu sexo arrematado...
eu na deformidade dos seres carnavalizados, dos seres mundanos que passam como caixas emborcadas
no final de feiras...emporcalhadas....eu querendo ser outra coisa...
coisa alguma que te alcance e te toque; maculando então com confusões pequenas... debilidades de infante epiléptica... eu tentando ser, eu que não sou... não há espaço para poeiras, nunca houve.... apenas histeria muda e agalopada...
vê a minha nudez amorfa, falha... enxerga ao menos, enxerga que seja uma deformidade medíocre,
vê.