
apanhei jasmins cansados, há muitos, mortos
pra perfumar nossa presença
pendurei umas luzes pra que se apagassem as incertezas
e somente o que nos impelisse ficasse à mostra
te entreguei uma parte de meu torto...
que é um todo,
de palavras mortas e esquecidas
espalhei nossas memórias pelas ruas inabitáveis dessa cidade
guardei teus murmúrios numa fresta eu nem sabia mais existir dentro do peito
agora, te retomo e te eternizo.
te escrevendo, com a dor indizível, insistente, no peito
te amargando com a junção dessas letras
perpetuadas por tantos devires
de esperas remotas, de entregas sem remetentes
de um outro que não se sabe ser e que se nega impetuosamente
que já não me ouve, não mais se vê
que se fez mudo. inerte
não te esqueço,
não (te) retorno.
(...)
me arrasto em direção a tua casa;
te devolvo
a parte do teu torto
que nunca me fui bem-vinda
que nunca me fui convidada a ser,
a não ser,
por protocolos que te impuseste...
tu e tua forçosa gentileza
tua cordialidade imprestável,
humilhante.
as coisas perderão o significado, como há de ser;
como um quadro que se olha há tanto tempo
que não se sabe mais o que olhar
e a vista desvia, torturada, pela ausência de sentidos.
tu te tornarás esse quadro.
por tua natureza imperturbável, por tua indiferença de tinta seca,
por tua frieza de lápis-lazúli,
emoldurado numa redoma inquebrável que tu mesmo pregaste por cima,
numa quina da tua discreta parede branca de apartamento vazio. como tu.
percebo,
até hoje não lembro o número da tua casa.
casas nos externam, dizem.
que já não me ouve, não mais se vê
que se fez mudo. inerte
não te esqueço,
não (te) retorno.
(...)
me arrasto em direção a tua casa;
te devolvo
a parte do teu torto
que nunca me fui bem-vinda
que nunca me fui convidada a ser,
a não ser,
por protocolos que te impuseste...
tu e tua forçosa gentileza
tua cordialidade imprestável,
humilhante.
as coisas perderão o significado, como há de ser;
como um quadro que se olha há tanto tempo
que não se sabe mais o que olhar
e a vista desvia, torturada, pela ausência de sentidos.
tu te tornarás esse quadro.
por tua natureza imperturbável, por tua indiferença de tinta seca,
por tua frieza de lápis-lazúli,
emoldurado numa redoma inquebrável que tu mesmo pregaste por cima,
numa quina da tua discreta parede branca de apartamento vazio. como tu.
percebo,
até hoje não lembro o número da tua casa.
casas nos externam, dizem.